sábado, 19 de janeiro de 2013

Devaneios de Um Louco

Quantas vezes me perdi
Procurando apenas ver
Aquilo que sempre pedi
Antes mesmo de nascer

Nunca vi nada assim
Que pudesse me calar
Perto do começo, o fim
O grande sino a badalar

O gongo da esperança
O som firme e retumbante
Me fazendo uma criança
Completamente relevante

Nada agora vejo
Apenas deito no chão
Em mim apenas o desejo
Subir para aquele clarão

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Saudades da Minha Amada

Sentiria seu sabor aconchegante
Ao beijá-la ternamente a todo instante
Sentiria sua voz em mim como a mais bela canção
Deliciando-me em suas palavras ora simples, ora não
Sentiria seu calor me acolher e me abraçar
Como naquele dia que nos conhecemos junto ao mar
Sentiria sua mente funcionando rápida e eficaz
Muitas vezes me ajudando a não andar pra trás
Sentiria isso e muito mais
Se naquele dia funesto
Você não tivesse partido com seus pais

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sementes de Um Novo Amanhã

Não teci planos e nem idealizei um futuro
O destino me conduzindo de maneira falsa e amiga
Fiz apenas o que me cabia sem subir num muro
E ainda assim me vi perdido na sarjeta da vida

Por vezes imagino se o problema não esteja na semente
Aquela que plantei há tempos esperando colher belos frutos
Mas ao que parece é preciso mais, é preciso ser persistente
Estar sempre atento aos detalhes, ser esperto e astuto

Talvez o tempo perdido ainda seja compensado
Através do suor e do trabalho incessante
De sementes que deram apenas frutos feios e amassados
Para outros frutos de sabor adocicado e cativante

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Mangueira Grande

A sombra daquela mangueira caía levemente sobre meu jardim
Banhando de lembranças aquele banquinho de madeira velha
Construído há séculos pelo meu bom avô Crispim.

Lembro de ter subido nela quando ainda era esguia e singela
e levar puxões de orelha por tentar quebrar a pobre árvore
Mas lembro que a visão que tinha de sua copa era, de longe, a mais bela.

Inúmeras vezes comemos de seus frutos carnudos e acredite, sem fiapos
E durante todos estes anos ela não murchou e não reclamou, sempre radiante
Começando a amadurecer seus frutos quando todas outras já estavam aos trapos.

Ah, minha cara e amiga Mangueira
Quantas histórias ouviu neste banco?
Muitas delas sem eira nem beira

Mas agora que você finalmente se foi
O que nos resta é lembrar
Daquilo que passou, mas ficou.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Olá, Prazer.

É um prazer conhecer você
Tenho plena convicção que você também queira
saber mais do que já comentam na feira

Gosto muito de estar perto e de acalento
Mas não vou te ligar a todo momento

Tampouco responder sua mensagem imediatamente
Estarei pensando na melhor resposta que vem à mente

Não te cobrirei de presentes todos os dias
Mas te oferecerei meu amor com todas as garantias

Te levarei para muitos lugares comigo
Mas tudo a seu tempo, sem olhar pro umbigo

Existirão dias que iremos brigar
Se alegre, provavelmente serei eu a me desculpar

Te cobrirei de beijos e bagunçarei seu cabelo
Só para vê-la brava e ganhar na barriga um cotovelo

Estar comigo é receber carinho toda hora
Mas não exite em me pedir uma folga

Não sou o homem perfeito para você
Mas procuro ser o melhor que posso ser

sábado, 17 de novembro de 2012

O Buraco

Naquele momento me senti estranho
Por afirmar veementemente que estava vazio
Sem interesse nem sentimento de qualquer tamanho
Completamente alheio ao coração vizinho

Talvez eu nunca tivesse dito isso para mim
E somente agora eu pudesse ver com clareza
Esse buraco escuro, grande e sem fim
Que preenchia meu coração com firmeza

Com medo me senti quando vi o buraco alargar
E inconscientemente me perguntei:
'Será que existe alguém que preencha este lugar?'
Mas alheio ao mundo eu ainda fiquei

Foi quando vi seu sorriso sem amarras e sem lei
cheio de vida e calor como quem ganha um abraço
e naquele momento me conformei e acreditei:
'Sim, existe quem possa preencher tal espaço'.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Recomeçar

Debruçado no parapeito gelado
da janela de madeira do meu quarto

Tentei ver as curvas que fazia o vento

olhando lá fora, mas também aqui dentro

Vi na velha aroeira plantada com muito amor
meu coração frondoso, cheio de vida e cor

Na rua sem pavimento e sem placas
minha alma sofrida e cheia de marcas

No muro quente de sol com latarias encostadas
quantas coisas suportei dentre várias pancadas

Naquela pipa esquecida, eletrocutada e enroscada nos cabos
Sonhos e planos cultivados mas totalmente arrasados

Naquele dia ensolarado e nublado
O início de um novo começo, com você ao meu lado.