domingo, 10 de novembro de 2013

De Repente, Saudade

Porque você teve que ir embora tão cedo?
Tínhamos tantas coisas para fazer juntos
Vários lugares para explorar sem medo
Com você as horas passavam em minutos

Com você as coisas pareciam tão palpáveis
Sabe quando se sente que tudo é possível?
Nossas decisões eram diretas, simples e ágeis
Mas hoje estou perdido sem um norte visível

Nossos abraços se encaixavam como uma luva
Nossos beijos se beijavam na mesma intensidade
Nossos sorrisos saíam fáceis até em dias de chuva
Nossas carícias eram recíprocas e com afetividade

Porque hoje, de todos os dias que já passaram
Fui sentir a sua falta de maneira tão intensa?
Essas são velhas feridas que já cicatrizaram
Mas senti você me apertando como uma prensa

As lembranças vem em turbilhões ao falar seu nome
Tantas coisas que passamos, vivemos e amamos
O teu sentimento nutritivo que me saciava a fome
E que hoje me lembrei como, tímidos, começamos

Esta é uma história que talvez até possa ser versada
A Ilíada seria pequena perto de tantas memórias
Talvez um dia me aventure de maneira mais ousada
A relembrar o que vivemos, as nossas histórias

Sem você ao meu lado me sinto agora tão só
Parece que em meus caminhos não tenho abrigo 
Sem a sua companhia para limpar o meu pó
Empoeirado e sujo estou a sonhar contigo

Concordo plenamente que não exista alguém
Que chegue a ser metade do que você foi pra mim
Nem me preocupo muito em achar isso também
Sozinho estou a plantar sua flor no jardim

Lembra quando fomos na floricultura comprar
E lá você pegou um jasmim amarelo e branco
Colocou na orelha e começou a dançar
A jasmim passou a ser você pra mim a cantar

Se prestar atenção, ainda hoje ouço sua melodia
Se fecho meus olhos ainda consigo ver seu rosto
Com um pouco mais de esforço sinto sua carícia
Sem esforço algum sinto um aperto e um desgosto

Não sei porque hoje senti tanta a sua falta
Tenho certeza que amanhã tudo volta ao normal
Sei que você me vê e me cuida da sua nuvem mais alta
Enquanto isso eu vou seguindo, hora bem, hora mal

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

(In)decisões

Quantas horas de pensamentos levaram
A me decidir pelo que diz a minha razão
As linhas de vínculos que se desataram
Decidi escolher e resguardar meu coração

Talvez eu me arrependa dessa decisão
Ainda não sei, porque ela ainda não é
Tudo vai menos pro sim e mais pro não
A cada passo mais fundo no rio perco o pé

Sei que tenho te causado mais problemas
Enquanto eu mesmo estou aqui tranquilo
Faz parte do gostar te ver feliz em Atenas
Mesmo que não seja ao meu lado, comigo

O tempo passa rápido e é muito cruel
Cansei de tentar apenas me aventurar
Falo muito sério como as estrelas do céu
Por você me apaixonei, com você quero estar

Não demore muito mais a se decidir
Eu entendo que é difícil tomar uma decisão
Mas meu coração em frangalhos está a ruir
E prefiro estar só a não ter seu coração

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Vertigem


Quantas cores ainda não tivemos
Outras tantas que ainda estão por vir
Aquelas viagens de barco sem remos
Aproveitando o tempo, o ir e o devir

Os momentos que me perdi em ti
Quando nada poderia nos atrapalhar
Seu corpo no meu, e eu sempre aqui
Coisas de quem está apenas a amar

Meu pensamento rodando em vielas
Um furor que aparece sem origem
Cores intensas em belas aquarelas
De tanto amar, me dá uma vertigem


Tirinha por: Paula Siebra

Saudades do seu Perfume

Sentiria a alegria, felicidade e euforia 
Sem nem esperar e saber que você viria
Sentiria aquela grande paz interior
Ao respirar em sua nuca, seu arrepio e tremor
Sentiria aquele sentimento chamado amor
Ao sentir seu perfume em mim, seu calor
Sentiria você por completo só ao respirar
Você por inteiro compondo o meu ar
Sentiria isso e muito mais
Se hoje eu não estivesse sozinho aqui no cais

Alfabetizando a Língua VII

Aqueles que desdenham do poder da leitura
Banalizando o conhecimento árduo e volátil
Construindo dramas dentro de sua amargura
Descobrindo o que não existe, que não é fácil

Explorei os caminhos intrínsecos à percepção
Fomentei o conhecimento das leituras assim
Garanti que a curiosidade não tivesse conclusão
Hoje já não sou apenas eu, mas vários em mim

Incrível os caminhos que as leituras podem levar
Jornadas incríveis que levam a pensar e indagar
Kubitsheck viveu 50 anos em 5 sem nem amargar
Ler, crescer e renascer, porque não tentar?

domingo, 3 de novembro de 2013

O sabor do seu Beijo

Sinceramente é quase impossível
Colocar em palavras algo tão...
Minha boca ainda está sensível
Seu toque e sabor, sem explicação

Senti o gosto da primavera nova
O sabor das flores desabrochando
A sensação que termina e se renova
A paz de suas esmeraldas me olhando

Senti o gosto das chuvas de verão
Ao sentir sua umidade me acolher
O toque afável e firme de sua mão
Meus lábios com muita sede de você

Senti os arrepios do vento de inverno
Quando mordendo você me beijou
Aquelas histórias escritas no caderno
Seu sabor de quero mais me conquistou

Senti a brisa suave e leve do outono
Ao sentir seu perfume bom e adocicado
Em meu coração a sensação de abandono
Quando em seu abraço me perdi, amado

Poderia essa sensação durar pra sempre?
Você em mim e eu em você como um só
Nem que eu, devagarzinho em você adentre
A memória desse beijo jamais há de virar pó


sábado, 2 de novembro de 2013

Sim, é possível

Como é possível estar tão distante
E ao mesmo tempo estar tão perto?

Como é possível te ver todo instante
Mesmo se meu olhar não está aberto?

Como é possível ouvir sua doce voz
Mesmo quando você não está aqui?

Como é possível seu perfume algoz
Se fazer sentir em meu respirar daqui? 

Como é possível sentir sua pele macia
Mesmo que minha mão nada foque?

Como é possível sentir sua magia
Se perto não estou de seu toque?

Como é possível amar tanto alguém
E mesmo assim, numa coisa profunda
Dizer e pensar para si mesmo que não
Que tudo, um dia, irá sim acontecer
E que você, minha, um dia há de ser