sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ainda Não Sei


Me sinto um infante diante de você
Não sei uma maneira de te conquistar
Não sei ser o cara que você fica a sonhar
Não sei o que te faz feliz e sempre te agrada 
Não sei te fazer sorrir sem precisar de uma charada
Não sei te fazer querer estar sempre comigo
Não sei se nossos pensamentos são contíguos
Não sei se talvez iríamos dar certo
Não sei de muitas coisas do seu universo
Só sei que gosto muito de você

Como fazer você sentir?
Como fazer você entender?
Que quero ser o melhor que posso por ti
Que em meus braços você não iria sofrer

Sei que se te falasse abertamente você recusaria
Entendo perfeitamente, pois isso seria um processo
Não quero errar porque sua distância eu não suportaria
Queria que fosse tão natural como a criação do universo...


Arte por: Charles M. Schulz

quinta-feira, 12 de junho de 2014

No Final


Sua cabeça repousa junto a minha
Seu ombro pressiona meu braço de leve
Sua mão em minha mão faz carícia
Seu respirar em meu ar me faz alegre

Seu coração palpita enquanto junto ao meu
Seu calor perpassa meu corpo rapidamente
Sua voz me inebria e me vejo no apogeu
Seu amor me preenche, me toca, me sente

As cenas se passam lentas e não ouvi nada
Esse escuro que nos envolve lembra nós dois
Nem mais sei se é refrigerante ou limonada
Eu sei que irá me contar tudo depois

Nesse tal filme de romance
Você não tem igual
Antes que o público se canse
Você me beija no final?


Arte e inspiração original por: Infinito Particular

terça-feira, 10 de junho de 2014

Assim te Vejo

Meras ilustrações que reaparecem
Em seu rosto o sorriso brilha
Com os olhos pensantes que sentem
Me esbanjo em você, coloco pilha

Linhas fluídas e sempre evanescentes
De sua pessoa como um todo total
Ambiguidades sempre escondidas, nada aparentes
Como não houvesse nada no mar, nem o sal

Um sorriso fácil e muito encabulado
Um rosto afável e envergonhado, avermelhado

Como seus cabelos de medida a adornar
Sua beleza como a noite se encobre do luar

segunda-feira, 2 de junho de 2014

De Vida à Morte

Aprendendo a caminhar, ó pequeno?
Seus primeiros passos a desenrolar
Andaste, agora, neste clima ameno
Já é hora de não mais engatinhar

Onde vai com tanta pressa, ó jovem?
Parece estar sempre a correr solto
Rápido neste clima turbulento você vem
E vai como se o tempo fosse pelo esgoto

Ainda sentado neste banco, ó seu moço?
Aprendeste que a pressa nem sempre convém
Com passos inseguros num clima sem alvoroço
Começa a pensar naquilo que vai e que vem

Acomodaste seu ser por aí, ó senhor?
A graça de aproveitar a vida em seu tempo
Caminhadas leves e seguras nesse dia de calor
Conhece os pormenores como num passatempo

Estar a definhar ainda por aí, ó ancião?
O fim se aproxima e a lembrança é memorável
Já não mais caminha ao sol, mas vê a palma da mão
O que já passou retorna, e o que passará é volátil

Cansada de seu redemoinho, ó vida?
Quando tudo é escuro e já não existe norte
No por do sol não importa débito, nem dívida
Quando se transforma em nada, ó morte

domingo, 1 de junho de 2014

Pros Teus Olhos Verdes

Engraçado como você é pra mim
Por vezes apenas uma ótima amiga
Mas noutras parece usar marfim
Enquanto ouço aquela cantiga

Que me embalou enquanto sonhava
Num provável desfecho inusitado
Sorria lembrando enquanto cantava
Te amava, mesmo sabendo que era errado

Mas hoje tomamos caminhos diferentes
Poderia ter ido embora de vez, mas não
Sempre te darei meu sorriso cheio de dentes
Quiçá pudesse expressar minha gratidão

sábado, 31 de maio de 2014

Aposentada Arma

De minha arma nenhum disparo
Jamais a erguerei novamente
Meu sentimento será mais raro
Nenhuma munição em meu pente

Cansado, meu braço está de se erguer
Sem nenhuma mísera recompensa
Parece que jamais a irei receber
Por tentar promover minha existência

Jamais escutarão o estampido
Alto e em bom som de meu disparo
Quem sabe a luta termine sem tiro
Quem sabe eu continue solitário

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Outro Eu

Não consigo ser
Outro que não eu
Não sei me ver
Com um olhar que não é meu

Eu, que por inocência agi
Sem saber que incomodava
Nem no começo ou no fim
Apenas fui eu que lhe falava

Tão diminuto em meu ser
Me vejo em meio a realezas
Meu eu plebeu tentou crescer
E não vi tamanhas proezas

Logo eu, que alheio de tudo estava
Sem perceber, pareci muito alto
Logo eu, que de golpes me abaixava
Me vi jogado, a pouco caso, no asfalto

Tão difícil não ser apenas eu
Outra pessoa que não este
Simples, reles, plebeu
Em meio a realezas de enfeite


Ouvindo: Carly Comando - Everyday
Inspiração Original: Fernando Pessoa - Poema em Linha Reta