sábado, 26 de julho de 2014

Deitados

Quero fazer tudo com você
Sem precisar de nada ou ninguém
Apenas o encontro inexorável do ser
Olhando pro céu, indo mais além

E se eu me deixar nesse abrigo
Apenas me deitar nesse lugar
Você deitaria aqui comigo?
Sem nada com o que se preocupar?

Nunca soube muito bem
O que sinto dentro de meu peito
Há tempos não sentia isso por ninguém
Pra você meus medos, meus trejeitos

Esqueça o que já disseram em seu ouvido
O tempo passa rápido e os anos são segundos
Gostaria muito de ver seu jardim florido
Explodindo de vida e alegria, nossos mundos

E se eu me deitar nesse céu estrelado
Apenas me deitar sob esse luar tão profundo
Você viria e deitaria aqui do meu lado
Fecharia os olhos e esqueceria do mundo?


Inspiração original: Chasing Cars - Snow Patrol

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Lua dos seus Olhos


A lua diminuiu diante de seus olhos
O escuro que nos cercava não assustava
O frio não mais congelou meus ossos
Pois seu calor ternamente me aconchegava

Procurei em suas imperfeições o pleno
O perfeito jamais me fascinou assim
Achei em suas qualidades meu acalento
Que este simples abraço não chegue ao fim

A lua continuava em sua eterna jornada
E as estrelas se revelavam em seu olhar
Além de você, eu já não via mais nada
Fascinado por alguém assim, encontrar

Assim como o céu tem sua infinitude
Sei que os momentos diferem distintamente
Mas nós também podemos ter nossa plenitude
Assim como a lua preenche o céu, diariamente

sábado, 19 de julho de 2014

Quando

Quando não se tem o que falar
E o que mais diz é apenas o olhar

Quando as preocupações preenchem
Mas os órgãos mais nada sentem

Quando a vontade de gritar é imensa
Para ouvidos moucos, sem ofensa

Quando a incapacidade dói infinitamente
E o peito anestesiado mais nada sente

Quando o toque é frio e vazio de tudo
E a luz se distancia, se escondendo no escuro

Quando os devaneios se perdem no luar
E a única vontade agora é de, com você, estar

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Le Vin

Encontros intensos que se constroem
Nos ínfimos detalhes que mal percebemos
Sentimentos que finalmente não me corroem
Me inebrio com nossos breves momentos

As ondulações retilíneas sentidas no tato
Subindo e descendo numa dança sem fim
Se faz sentir num calor oscilante e exato
Preenchem meu vazio cálice de marfim

O suado brilho da garrafa de sensações
Se derrama levemente em sua pele clara
As incongruências cedem espaço a padrões
Coração que bate forte e jamais para

Olhares vívidos em conversas silenciosas
É incrível como nunca se cansam de ver
O profundo poço de histórias e memórias
De seus olhos, de nossas vidas, de você

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Merecida Calmaria

O vento leste sopra forte como nunca
A vida corre, se atropela e embaraça
A cada novo dia resido em espeluncas
Na viagem rumo à derradeira desgraça

Até quando essa pressa vai me possuir?
Parece que não tenho valor algum em meu ser
Me vejo num castelo que está prestes a ruir
E numa dessas curvas da vida, eu vi você

Em cada estrada separada nossas vidas caminhavam
A turbulência e atropelos insistiam em nos deixar loucos
Mas ao entrelaçar nossos passos vi que eles recuavam
E davam espaço para um sentimento puro, para poucos

Essa calmaria que seu calor traz para o meu
Nossas distâncias reduzidas a abraços apertados
Ouço o silêncio dos meus carinhos nos seus
Não me imaginava tão calmo, tão relaxado

As horas se convertem em rápidos segundos
Vejo o tempo passar rápido olhando para você
Nosso despojar de tudo parece de outro mundo
Com você sinto a calmaria merecida do meu ser

domingo, 13 de julho de 2014

Receios

Os minutos se transformaram em segundos
Enquanto sua voz soava e ressoava em mim
Parecia o encontro suspeito de dois mundos
Inquietos diante daquele cheiro de jasmim

Minhas mãos inquietas se segurando para não
Seus olhos incisivos talvez me pedindo que sim
Meu receio me mantendo parado no chão
Talvez tivéssemos que ficar perto assim

O tempo parece muito curto enquanto juntos
O ontem não para de incomodar o presente
Por mais que viajemos pelos mais diversos assuntos
O perto do longe me traz esse seu toque quente

Talvez eu tivesse me segurado um pouco demais 
Entre as poucas qualidades não se encontra o cortejo
Espero que essa vontade passe ou que não cresça mais
Aquela vontade forte de sentir o gosto do seu beijo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Rios de Lembranças Estelares

Lembranças me inundam como um rio
Sua voz, por vezes rouca, sussurrava baixo
Parecia que andávamos sempre por um fio
Prestes a cair no esquecimento logo abaixo

Hoje já não ouço mais seu respirar
Já não sinto mais o seu toque caloroso
Saudoso, lembro de seu lindo olhar
É sempre tão bom, mas também tão doloroso

Parece que ontem estávamos juntos em casa
Mas quando reparo, vejo que os anos correram
Em meu peito ainda se sustenta uma leve brasa
Com a velocidade, os anos se comprometeram

Duas vidas interrompidas sem precedente
Como gostaria de estar contigo nesse momento
Mas todos aqueles meses passaram tão de repente
É difícil superar esse profundo desalento

De todos olhos que já olhei e apreciei
O único par que pude olhar o lado mais íntimo
Foram seus dois olhos castanhos, eu sei
Juntos aos meus poderiam ser os últimos

Porque essa ferida insiste em doer assim?
Você foi pra mim o que ninguém conseguiu ser
Ainda é mais do que já foi perto do fim
Mas essa dor não some, essa falta de você

Inexoravelmente sei que jamais irá voltar
Não consigo achar em ninguém nada de você
Nem mesmo um décimo do queria experimentar
Parece que para mim só foi feito um único ser

Ver nossas memórias tão escancaradas assim
Como se o ontem queimasse naquelas centelhas
Me pego pensando 'e se não tivesse chegado um fim?'
Será que eu ainda falaria que a culpa é das estrelas?