domingo, 25 de janeiro de 2015

Saudades com aroma de Liberdade

Tantos lugares pra ir
Tanta gente pra conhecer
Minha liberdade é tão grande
Quanto a saudade que eu sinto de você

                            ...

Visitei os lugares mais distantes
Já vi o sol brilhar em muitos horizontes
Nenhuma única vez como antes
Quando ainda ríamos aos montes

Procurei nos olhos e sorrisos
De pessoas distantes, novas e antigas
Todos borrados, errados e imprecisos
Nenhum com o doce de suas cantigas

As amarras que me prendem agora
Eram tão ínfimas há algum tempo
Mas sempre me vejo sem hora
A me debater contra a falta de vento

O que me resta é apenas a sua falta
Aquele vazio que ninguém nunca preencheu
Essa saudade que ficou é tão incauta
Que me assola com toneladas de nada: eu.



Tirinha e Inspiração Original: Mateus Gandara - Vudu Comix

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Olhos Toldados

Olhos toldados pela imaginação galopante
de esperanças inúteis e cheias de querer
Espaços preenchidos pelo nada distante,
distante de algo concreto, um vir a ser

Levianos quereres que já foram alertados
de seu infrutífero fim por vários lábios
Mas os olhos escuros e bem apertados
não viam outra coisa diante dos fatos

Com que dificuldade tem sido difícil
abri-los para o nada novamente
Um impacto tão forte quanto um míssil
que devasta do fundo do coração
aos confins da mente

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Onde Está?

Onde está minha flor que não aqui agora?
Sinto seu cheiro mas não a vejo em lugar algum
Cansado de meu interior, te procuro lá fora
Mas simplesmente não a acho em lugar nenhum

Meus dias cinzas sem sua cor a me colorir
Nos falamos à distância mas isso não restaura os laços
Passar os dias e as horas sem seus beijos a me cobrir
Longe de suas palavras e carícias, de seus ternos abraços

Não fico triste por você não estar aqui agora
Mas uma falta profunda se instala no peito
Onde está a minha flor que não do meu lado agora?
Está lá longe de mim, longe da mão, lonjura sem jeito

Onde está a minha flor que não do meu lado agora?

domingo, 7 de dezembro de 2014

Decepções

Falsas palavras recitadas com a certeza
De que a segurança e confiança evanescem
Sem saber da realidade, sem nenhuma clareza
Regurgita o irreal em meus olhos que não aquiescem

Palavras que cortam mais que facas afiadas
Dúvidas que machucam mais que a dor física
Incertezas que minam o calor e as gargalhadas
Tristeza infinita naquela melodia triste e infinita

A decepção toma conta do coração
O perdão ainda não está pronto para ser dado
E a dor ainda me cega como um clarão
Por você ter deliberadamente me machucado

O amargor preenche minha boca neste instante
Fico a imaginar os rios e as correntezas a falar
É tudo tão instável, tão errôneo e inconstante
Esse buraco que começou fechar

E tão logo voltou a alargar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Esperar sem Esperar

Joguei fora todos planos inventados
Apaziguei os ânimos de tantas revoltas
Retoquei a pintura, refiz com retalhos
Reergui caídos pilares sem voltas

Limpei os móveis e aspirei os cantos
Retratos vazios esperando vivências
Piso brilhando, pelo menos por enquanto
Ar fresco e contínuo, como as reticências

Esperei sem saber que esperava
Prorroguei a reforma e a vontade
Ansiava por algo que não contava
Esperanças perdidas na tempestade

Espero que não caia no buraco 
Um enorme que fica no caminho
Profundo, intenso, escuro e opaco
É preciso descobrir um jeitinho

Te vejo sorrindo na porta de minha casa
Nunca imaginei ver alguém aqui novamente
Passa pela porta gentilmente encolhendo as asas
Me perco no tempo ao abraçá-la ternamente

Sorrindo, como há muito não sorria
Vivendo, como há muito não vivia
Construindo, como há muito não construía
Amando, como nunca achei que amaria

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Insistente Presença Enigmática

Histórias que se debruçam sobre si
Medos, receios e sons que vêm e vão
As lembranças boas giram num frenesi
Se agitam e se refazem num turbilhão

Por que insiste meu coração habitar?
Já me destes todos motivos para não
Pensava ter até alguns para te odiar
Não entendi as peripécias do coração

Seu sabor me acompanha nos sonhos
Enquanto o toque se faz presente agora
Sentimentos que eu achava bisonhos
Por não terem sua presença na hora

Por que insiste meu coração habitar?
A dificuldade de você me faz vacilante
Sozinho, tudo era tão simples manipular
Anseio por esse sentimento causticante

Quando menos reparo, me vejo você
Ao parar de raciocinar, me vejo você
Se vou contemplar, só me vejo você
Se penso em amar, eu só vejo você

Por que insiste meu coração habitar?
Se ainda não acredita que estou a te amar?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sorrisos

Sorrisos joviais e cheios de dentes
Que se abrem ao menor movimento
Por vezes receosos, outras mui contentes
Alguns com um mágico encantamento

De soslaio ou de cantinho
Com covinhas ou bem educado
Dentes à mostra ou sorrisinho
Barulhento ou falsificado

Salvam meu dia quando sorriem comigo
Sorrisos que sorriem novamente ao lembrar
De família, desconhecido, da amada e do amigo
Pouco importa, são sorrisos a me alegrar

Muito tímidos ou enigmáticos
Inexistentes ou difíceis de sair
Inconvenientes ou muito práticos
Perfeitos, todos que me fazem sorrir