segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tua Chuva

Sabe, já faz muito tempo que não te vejo
Meu aniversário está quase aí e imagino
Como seria se tudo fosse num lampejo
Desviado daquele triste destino...

Esse clima chuvoso até hoje é teu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora também é teu
Sensações misturadas num turbilhão

Engraçado como ainda me lembro saudoso
De tudo que vivi e também do que não vivi
É como que se tentasse, poderia sentir o gozo
De viver perto de quem não está mais aqui

Esse clima chuvoso ainda é teu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora ainda é teu
Saudades preenchendo esse turbilhão

O toque seguro de dois idiotas no telhado
Ouvindo a chuva como quem ouve uma sinfonia
Pouco me importava o arrepio e o corpo molhado
Só tinha espaço para um sentimento: a alegria

Esse clima chuvoso talvez seja sempre seu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora é e será sempre teu
Saudades e lágrimas preenchendo esse turbilhão

Lembro dos sorrisos e pulos, rodopios e do chover
Enquanto a água lavava do coração as maldades
Guarda chuva era para quem não sabia viver
Porque para nós era um infinito de possibilidades

Esse clima chuvoso até hoje é teu
O barulho das gotas caindo ao chão
O frio que sinto agora também é teu
Sensações misturadas num turbilhão

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Insanidades num Voleio à Catira

Já passava da meia noite e eu precisava dormir
Tentei ler para distrair meus pensamentos inquietos
Mas ao mesmo tempo que tudo começava ruir
Eu me iludia com a vã certeza dos corretos

Desmoronou os pilares da sanidade ao toque
Do gongo que marcava a hora exata da catira
Do gongo que marcava a hora exata da morte
O ruído incessante do teto de emoções de mentira

Os passos da dança ao céu aberto da infinitude
Em meio às ruínas do que foi construído por outrem
Meu balanceio irrequieto e livre de plenitude
Ditava a inexorável certeza do fim dos que mentem

Cores, sensações, sons, fluxos jamais sentidos
Em meio aos rodopios abrangentes da liberdade
Momentos que jamais foram por ninguém vividos
Quando abro meus olhos e me vejo fora da idade

Num voleio fluído de quem nunca mais voltará
Eu fui e nunca mais voltei a ser eu mesmo
Do fim os que já se foram só sabem que não virá
A infinita sabedoria do nada
Simplesmente nada
O vazio
O vácuo

Foi


Para se ouvir enquanto lê: Chankas - Voleio

domingo, 25 de janeiro de 2015

Saudades com aroma de Liberdade

Tantos lugares pra ir
Tanta gente pra conhecer
Minha liberdade é tão grande
Quanto a saudade que eu sinto de você

                            ...

Visitei os lugares mais distantes
Já vi o sol brilhar em muitos horizontes
Nenhuma única vez como antes
Quando ainda ríamos aos montes

Procurei nos olhos e sorrisos
De pessoas distantes, novas e antigas
Todos borrados, errados e imprecisos
Nenhum com o doce de suas cantigas

As amarras que me prendem agora
Eram tão ínfimas há algum tempo
Mas sempre me vejo sem hora
A me debater contra a falta de vento

O que me resta é apenas a sua falta
Aquele vazio que ninguém nunca preencheu
Essa saudade que ficou é tão incauta
Que me assola com toneladas de nada: eu.



Tirinha e Inspiração Original: Mateus Gandara - Vudu Comix

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Olhos Toldados

Olhos toldados pela imaginação galopante
de esperanças inúteis e cheias de querer
Espaços preenchidos pelo nada distante,
distante de algo concreto, um vir a ser

Levianos quereres que já foram alertados
de seu infrutífero fim por vários lábios
Mas os olhos escuros e bem apertados
não viam outra coisa diante dos fatos

Com que dificuldade tem sido difícil
abri-los para o nada novamente
Um impacto tão forte quanto um míssil
que devasta do fundo do coração
aos confins da mente

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Onde Está?

Onde está minha flor que não aqui agora?
Sinto seu cheiro mas não a vejo em lugar algum
Cansado de meu interior, te procuro lá fora
Mas simplesmente não a acho em lugar nenhum

Meus dias cinzas sem sua cor a me colorir
Nos falamos à distância mas isso não restaura os laços
Passar os dias e as horas sem seus beijos a me cobrir
Longe de suas palavras e carícias, de seus ternos abraços

Não fico triste por você não estar aqui agora
Mas uma falta profunda se instala no peito
Onde está a minha flor que não do meu lado agora?
Está lá longe de mim, longe da mão, lonjura sem jeito

Onde está a minha flor que não do meu lado agora?

domingo, 7 de dezembro de 2014

Decepções

Falsas palavras recitadas com a certeza
De que a segurança e confiança evanescem
Sem saber da realidade, sem nenhuma clareza
Regurgita o irreal em meus olhos que não aquiescem

Palavras que cortam mais que facas afiadas
Dúvidas que machucam mais que a dor física
Incertezas que minam o calor e as gargalhadas
Tristeza infinita naquela melodia triste e infinita

A decepção toma conta do coração
O perdão ainda não está pronto para ser dado
E a dor ainda me cega como um clarão
Por você ter deliberadamente me machucado

O amargor preenche minha boca neste instante
Fico a imaginar os rios e as correntezas a falar
É tudo tão instável, tão errôneo e inconstante
Esse buraco que começou fechar

E tão logo voltou a alargar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Esperar sem Esperar

Joguei fora todos planos inventados
Apaziguei os ânimos de tantas revoltas
Retoquei a pintura, refiz com retalhos
Reergui caídos pilares sem voltas

Limpei os móveis e aspirei os cantos
Retratos vazios esperando vivências
Piso brilhando, pelo menos por enquanto
Ar fresco e contínuo, como as reticências

Esperei sem saber que esperava
Prorroguei a reforma e a vontade
Ansiava por algo que não contava
Esperanças perdidas na tempestade

Espero que não caia no buraco 
Um enorme que fica no caminho
Profundo, intenso, escuro e opaco
É preciso descobrir um jeitinho

Te vejo sorrindo na porta de minha casa
Nunca imaginei ver alguém aqui novamente
Passa pela porta gentilmente encolhendo as asas
Me perco no tempo ao abraçá-la ternamente

Sorrindo, como há muito não sorria
Vivendo, como há muito não vivia
Construindo, como há muito não construía
Amando, como nunca achei que amaria