quinta-feira, 18 de junho de 2015

Solitude

O som do calor humano mente e agrada
Se faz com mil faces, bonitas e arrojadas
Desfaz os nós e as entranhas embaralhadas
Sorri como o amor ao ver sua amada

Mas o inteiro de si se basta para só
Para só, sozinho, por si, sem ninguém
Sem um, nenhum, sem mais, sem pó
Isolado, nenhuma alma, sem nada além

Sem calor, sem caô, sem doutor
Somente o nada, me basta, me convém
Ao som do vento, do eu e do clamor
Pela solitude, por mim e por mais ninguém

Gratidão pelo silêncio do coração
Somente batidas, compassadas ou não
Sem vozes, sem problemas, sem exclusão
Sem ideias, sem barulho, sem obrigação

Somente o nada, me basta, me convém
Pela solitude, por mim e por mais ninguém

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sorrisos

Já me encantei por muitos sorrisos
Abertos, tímidos, sinceros e fingidos
Cheios de dentes, lábios e brilhos
Naturais e os de batom tingidos

Sorrisos que me preencheram
Mas há muito que não os vejo
Outros que eram raros e preciosos
Sempre escondidos num bocejo

Sorrisos que brilharam forte
Tal qual o sol ainda brilha lá fora
Sorrisos que me deram sorte
Quando apareceram naquela hora

Sorrisos que não eram 'sorridos' somente
Com a boca, mas como quem sente
Que o verdadeiro sorriso está presente
muito além de uma fileira de dentes

Sorrisos dados das profundezas
Sorrisos que preencheram
Que eram raros
Que se esconderam
Brilharam
Conduziram
E sorriram para mim

Sorrisos que eram
Como os teus são hoje
Conquistam
Expressam
Encantam
Hipnotizam
Sorriem



Apreciando o teu sorriso ao som de: Bonobo - 'Black Sands'

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Mensagem

C. Z.,

Já me perguntei infinitas vezes sobre como falar com você.
Tantas vezes.
Tantos olhares pela universidade.
Tantas situações criadas mas nenhuma efetivada.
Tantas.
Hoje, por acaso, você apareceu como uma pessoa que eu talvez conhecesse.
Confesso que fiquei surpreso.
Muito. 
De verdade!
Eu sabia seu nome, apenas.
Mais nada.
Sabia que você era (e ainda é) uma pessoa que eu preciso conhecer antes de seguir meu caminho por sei lá onde.
Sabia que eu ficaria inquieto se não pudesse falar ao menos um 'oi' para uma pessoa tão interessante como você.
Talvez sejam seus enigmas.
Talvez o seu olhar.
Talvez seu jeito de andar.
Talvez seja sua beleza única e incrível.
Talvez seja apenas loucura.
Talvez eu devesse apagar tudo e deixar as coisas como estão.
Você lá e eu aqui.
Dois caminhos que nunca se cruzaram.
Mas agora é tarde, já enviei essa mensagem.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tua Chuva

Sabe, já faz muito tempo que não te vejo
Meu aniversário está quase aí e imagino
Como seria se tudo fosse num lampejo
Desviado daquele triste destino...

Esse clima chuvoso até hoje é teu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora também é teu
Sensações misturadas num turbilhão

Engraçado como ainda me lembro saudoso
De tudo que vivi e também do que não vivi
É como que se tentasse, poderia sentir o gozo
De viver perto de quem não está mais aqui

Esse clima chuvoso ainda é teu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora ainda é teu
Saudades preenchendo esse turbilhão

O toque seguro de dois idiotas no telhado
Ouvindo a chuva como quem ouve uma sinfonia
Pouco me importava o arrepio e o corpo molhado
Só tinha espaço para um sentimento: a alegria

Esse clima chuvoso talvez seja sempre seu
O barulho das gotas tocando o chão
O frio que sinto agora é e será sempre teu
Saudades e lágrimas preenchendo esse turbilhão

Lembro dos sorrisos e pulos, rodopios e do chover
Enquanto a água lavava do coração as maldades
Guarda chuva era para quem não sabia viver
Porque para nós era um infinito de possibilidades

Esse clima chuvoso até hoje é teu
O barulho das gotas caindo ao chão
O frio que sinto agora também é teu
Sensações misturadas num turbilhão

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Insanidades num Voleio à Catira

Já passava da meia noite e eu precisava dormir
Tentei ler para distrair meus pensamentos inquietos
Mas ao mesmo tempo que tudo começava ruir
Eu me iludia com a vã certeza dos corretos

Desmoronou os pilares da sanidade ao toque
Do gongo que marcava a hora exata da catira
Do gongo que marcava a hora exata da morte
O ruído incessante do teto de emoções de mentira

Os passos da dança ao céu aberto da infinitude
Em meio às ruínas do que foi construído por outrem
Meu balanceio irrequieto e livre de plenitude
Ditava a inexorável certeza do fim dos que mentem

Cores, sensações, sons, fluxos jamais sentidos
Em meio aos rodopios abrangentes da liberdade
Momentos que jamais foram por ninguém vividos
Quando abro meus olhos e me vejo fora da idade

Num voleio fluído de quem nunca mais voltará
Eu fui e nunca mais voltei a ser eu mesmo
Do fim os que já se foram só sabem que não virá
A infinita sabedoria do nada
Simplesmente nada
O vazio
O vácuo

Foi


Para se ouvir enquanto lê: Chankas - Voleio

domingo, 25 de janeiro de 2015

Saudades com aroma de Liberdade

Tantos lugares pra ir
Tanta gente pra conhecer
Minha liberdade é tão grande
Quanto a saudade que eu sinto de você

                            ...

Visitei os lugares mais distantes
Já vi o sol brilhar em muitos horizontes
Nenhuma única vez como antes
Quando ainda ríamos aos montes

Procurei nos olhos e sorrisos
De pessoas distantes, novas e antigas
Todos borrados, errados e imprecisos
Nenhum com o doce de suas cantigas

As amarras que me prendem agora
Eram tão ínfimas há algum tempo
Mas sempre me vejo sem hora
A me debater contra a falta de vento

O que me resta é apenas a sua falta
Aquele vazio que ninguém nunca preencheu
Essa saudade que ficou é tão incauta
Que me assola com toneladas de nada: eu.



Tirinha e Inspiração Original: Mateus Gandara - Vudu Comix

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Olhos Toldados

Olhos toldados pela imaginação galopante
de esperanças inúteis e cheias de querer
Espaços preenchidos pelo nada distante,
distante de algo concreto, um vir a ser

Levianos quereres que já foram alertados
de seu infrutífero fim por vários lábios
Mas os olhos escuros e bem apertados
não viam outra coisa diante dos fatos

Com que dificuldade tem sido difícil
abri-los para o nada novamente
Um impacto tão forte quanto um míssil
que devasta do fundo do coração
aos confins da mente