quarta-feira, 12 de agosto de 2015

De Quereres Queríveis

Queria um abraço
Disse o eremita
Queria mais espaço
Disse o individualista

Queria um aperto
Disse o folgado
Queria um emprego
Disse o desempregado

Queria um jantar
Disse o esfomeado
Queria me revoltar
Disse o conformado

Queria uma cabeleira
Disse o careca
Queria uma brejeira
Disse a perereca

E eu? Eu queria você
Não como quem não tem
Mas como o bolo quer glacê
Ou um moleque quer um vintém

Queria quereres inqueríveis
Quereres que queria não querer
Queria que fosse tudo querível
Não vivo de querer, mas de você

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Corações Pulsantes

Corações pulsantes
Sustentam os olhares
Mais intensos que antes
Frios como os mares

Mãos trêmulas e fracas
Da responsabilidade vil
Se fecham, cheias de marcas
Se retraem ao sentir o frio

Pés cansados e vacilantes
Seguindo, seguindo e seguindo
Não mais correm como antes
Daquele vigor não há nem um pingo

Amores que permeiam a existência
Compuseram o coração e a razão
O que resta? A experiência
de ter vivido o que viveu e o que não

Corações pulsantes
Sustentam pesares
Menos intensos que antes
Frios como os mares

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nosso Sorriso

Num sorriso tudo sumiu
Sumiu aquela dor
como quem nunca sentiu
sobrou até um pouco de amor!

Um sorriso que persistiu
Durante o dia inteirinho
Contagiou quem o viu
Tipo criança com danoninho

Fez até estas rimas ficarem assim
Leves, bobinhas e despreocupadas
Parece que esse sorriso nunca tem fim
Sorriso cheio de flores perfumadas

Voltei, olhei e de longe já vi
O sorriso que vem de encontro ao meu
Meu rosto esquentou e logo percebi
Aquele belo e inconfundível sorriso seu...

sábado, 1 de agosto de 2015

Condenada Alma

Caminhos
Gritantes
Redemoinhos
Revoltantes

Estradas
Sinuosas
Lotadas
Duvidosas

Caminhei
para o fim
Caminhei
para mim

Fui e voltei
Vivi e esqueci
Só tentei
e nisso, cresci

De flores e jardins
Ao pó e ao nada
Conheci os confins
de minha alma
Condenada

terça-feira, 21 de julho de 2015

De um Cafuné


Entrelacei os dedos em teus cabelos
E sem querer entrelacei minha alma
Apertados, batendo até os cotovelos
Quis aproveitar com toda a calma

As tonalidades indo do escuro pro claro
Me entorpeciam enquanto só viajava
As cores suaves tal qual o canto do pássaro
O toque tão sutil e singelo que me conquistava

Do branco vi o preto que saía pela entrada
Puxando com plenitude o empurrar de lata
Sujo de tantas cores, mas de alma lavada
Dormia, no fim, seguro, ao som da cascata

Sem lágrimas
Sem caladas
Sem escuro
Sem nada

sábado, 18 de julho de 2015

Mãos Entrelaçadas


Mãos que apertam forte e suave
Intensas, quentes, vivas e sinceras
Mãos tão leves quanto uma ave
Mas ferozes como a maior das feras

Um toque tão sutil que parecem nuvens
A flutuar em momentos de intenso torpor
Regadas pelo suor dos 'vais' e dos 'vens'
Percorrem, famintas e com intenso ardor

Percorrem espaços estreitos e espaçosos
Escondidos, expostos, oclusos e aparentes
Tão forte que dá pra sentir o calor nos ossos
Tão sutis que arrepiam e tremem os dentes

Mãos que se tocam em harmonia musical
Fazem uma orquestra dos entrelaçar dos dedos
Mais complexa e completa que num recital
Mais simples e natural como o menor dos medos

Mãos que empurram o receio pro lado
Acariciam o rosto com carinho infinito
Anseiam por nunca sair do teu lado
Mãos entrelaçadas, bailando, no ritmo

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Solitude

O som do calor humano mente e agrada
Se faz com mil faces, bonitas e arrojadas
Desfaz os nós e as entranhas embaralhadas
Sorri como o amor ao ver sua amada

Mas o inteiro de si se basta para só
Para só, sozinho, por si, sem ninguém
Sem um, nenhum, sem mais, sem pó
Isolado, nenhuma alma, sem nada além

Sem calor, sem caô, sem doutor
Somente o nada, me basta, me convém
Ao som do vento, do eu e do clamor
Pela solitude, por mim e por mais ninguém

Gratidão pelo silêncio do coração
Somente batidas, compassadas ou não
Sem vozes, sem problemas, sem exclusão
Sem ideias, sem barulho, sem obrigação

Somente o nada, me basta, me convém
Pela solitude, por mim e por mais ninguém