domingo, 30 de agosto de 2015

Segredos Esquecidos


Lembrei do ontem como se fosse agora
Os toques, os olhares e as conversas
Deitados e amados pela noite afora
Flutuações que iam e vinham às pressas

A areia do cotidiano preenchia a mente
O escuro do dia a dia apagava o brilho
Do teu céu tão lindo, claro e indecente
Saindo dos teus pés, percorria seu trilho

Eu de um lado ouvindo teus segredos
Você do seu lado ouvindo seus anseios
Enquanto em seu corpo seguiam meus dedos
Minha boca insaciável circulando seus seios

De palavras se fizeram os carinhos
De carinhos se fizeram os sentimentos
De sentimentos se fizeram os sorrisos
E de sorrisos se fizeram os momentos

Momentos que ficaram marcados no peito
Enquanto você abria seu coração e chorava
E eu segurando suas pesadas lágrimas sem jeito
Mas com toda a sinceridade de quem apenas amava

Confesso que realmente cheguei a esquecer
Do que era ruim e do que nada acrescentava
Doía no peito, no amor e não parava de doer
Aqueles segredos maciços que tanto machucava

Do agora espero que sejam apenas boas memórias
Não mais lembranças tortas que insistem em voltar
Escrever novas páginas dessa nossa história
Com carinho, atenção e liberdade, nunca ruim
Sempre a te amar...



Tirinha e Inspiração Original: Fábio Moon e Gabriel Bá

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

De Quereres Queríveis

Queria um abraço
Disse o eremita
Queria mais espaço
Disse o individualista

Queria um aperto
Disse o folgado
Queria um emprego
Disse o desempregado

Queria um jantar
Disse o esfomeado
Queria me revoltar
Disse o conformado

Queria uma cabeleira
Disse o careca
Queria uma brejeira
Disse a perereca

E eu? Eu queria você
Não como quem não tem
Mas como o bolo quer glacê
Ou um moleque quer um vintém

Queria quereres inqueríveis
Quereres que queria não querer
Queria que fosse tudo querível
Não vivo de querer, mas de você

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Corações Pulsantes

Corações pulsantes
Sustentam os olhares
Mais intensos que antes
Frios como os mares

Mãos trêmulas e fracas
Da responsabilidade vil
Se fecham, cheias de marcas
Se retraem ao sentir o frio

Pés cansados e vacilantes
Seguindo, seguindo e seguindo
Não mais correm como antes
Daquele vigor não há nem um pingo

Amores que permeiam a existência
Compuseram o coração e a razão
O que resta? A experiência
de ter vivido o que viveu e o que não

Corações pulsantes
Sustentam pesares
Menos intensos que antes
Frios como os mares

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nosso Sorriso

Num sorriso tudo sumiu
Sumiu aquela dor
como quem nunca sentiu
sobrou até um pouco de amor!

Um sorriso que persistiu
Durante o dia inteirinho
Contagiou quem o viu
Tipo criança com danoninho

Fez até estas rimas ficarem assim
Leves, bobinhas e despreocupadas
Parece que esse sorriso nunca tem fim
Sorriso cheio de flores perfumadas

Voltei, olhei e de longe já vi
O sorriso que vem de encontro ao meu
Meu rosto esquentou e logo percebi
Aquele belo e inconfundível sorriso seu...

sábado, 1 de agosto de 2015

Condenada Alma

Caminhos
Gritantes
Redemoinhos
Revoltantes

Estradas
Sinuosas
Lotadas
Duvidosas

Caminhei
para o fim
Caminhei
para mim

Fui e voltei
Vivi e esqueci
Só tentei
e nisso, cresci

De flores e jardins
Ao pó e ao nada
Conheci os confins
de minha alma
Condenada

terça-feira, 21 de julho de 2015

De um Cafuné


Entrelacei os dedos em teus cabelos
E sem querer entrelacei minha alma
Apertados, batendo até os cotovelos
Quis aproveitar com toda a calma

As tonalidades indo do escuro pro claro
Me entorpeciam enquanto só viajava
As cores suaves tal qual o canto do pássaro
O toque tão sutil e singelo que me conquistava

Do branco vi o preto que saía pela entrada
Puxando com plenitude o empurrar de lata
Sujo de tantas cores, mas de alma lavada
Dormia, no fim, seguro, ao som da cascata

Sem lágrimas
Sem caladas
Sem escuro
Sem nada

sábado, 18 de julho de 2015

Mãos Entrelaçadas


Mãos que apertam forte e suave
Intensas, quentes, vivas e sinceras
Mãos tão leves quanto uma ave
Mas ferozes como a maior das feras

Um toque tão sutil que parecem nuvens
A flutuar em momentos de intenso torpor
Regadas pelo suor dos 'vais' e dos 'vens'
Percorrem, famintas e com intenso ardor

Percorrem espaços estreitos e espaçosos
Escondidos, expostos, oclusos e aparentes
Tão forte que dá pra sentir o calor nos ossos
Tão sutis que arrepiam e tremem os dentes

Mãos que se tocam em harmonia musical
Fazem uma orquestra dos entrelaçar dos dedos
Mais complexa e completa que num recital
Mais simples e natural como o menor dos medos

Mãos que empurram o receio pro lado
Acariciam o rosto com carinho infinito
Anseiam por nunca sair do teu lado
Mãos entrelaçadas, bailando, no ritmo