segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vazio Leviano

Pelas vielas esquecidas ao acaso
Se perdia e se encontrava em si mesmo
Analisando e ponderando cada passo
Mal percebia que ainda estava a esmo

Quisera pois encontrar o que procurava
Mas acabou percebendo um pouco tarde
Que mesmo estando mais do que estava
A incompletude ainda causava alarde

Ter em mãos a fantasia de um dia enluarado
Por um sol inexistente a iluminar o céu
Passos que caminham paralelos, lado a lado
Mas que se vêem caminhando sozinhos ao léu


domingo, 13 de março de 2016

Compêndio

Solares olhares radiantes de amar
Por que fui deixar isso acontecer?
Já podia prever onde isso ia dar
Desatento, me esqueci de me ater

Lunares pesares sombreados pelo mar
Já sabia tudo que iria aqui acontecer
Nada surpreende, nada irá mudar
E com verbos continuo a me envolver

Determinada e constante resolução
Não mais me preocuparei com a luz
Nem mesmo àquela melodiosa sensação
Tampouco o calor que ela produz

Já diziam os lírios brancos ao ouvido
"Corre, ó menino, o dia irá chegar ao fim"
E assim corri de minhas loucuras agradecido
Por ainda ouvir as flores de meu jardim

sexta-feira, 11 de março de 2016

Um


E se enroscam os lábios ansiosos
As mãos querendo se tornar uma só
Toques incessantes e curiosos
O atrito insistente e sem dó

Nada se pode expressar, apenas sentir
Eu, você, lençóis, respiração e olhares
Aquele constante movimento de ir e vir
Nada além de pensamentos vulgares

O grito suave soa no ouvido
Fecha os olhos, respiração arfante
Unhas cravadas na pele, libido!
O calor que emana a todo instante

Um, dois, três, não se sabe quanto tempo
Os corpos agora parecem ser apenas um
Se afastam devagar mas sentem o vento
Empurrando os dois para serem novamente
UM.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Tempo Passado


Tudo passa e continua passando
E a única coisa que não passa é você

Como explicar que eu gostaria muito
Mas não quero nesse exato momento?

Só gostaria de continuar caminhando
Respirar, conhecer, conversar e viver

Mas sempre vem aquele desejo profundo
De me perder em ti, com os cabelos ao vento

Mas logo esqueço e continuo caminhando
Enquanto isso o tempo vai passando...

O tempo vai passando...

Vai passando...

Passando...

Passou.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Imutável Ano Novo

E tudo começa novamente
Ou simplesmente recomeça
Silencioso, nada estridente
Um mormaço sem pressa
Que ressoa dentro da mente
Não se move nem se apressa
A igualdade que se faz presente

Parece que o hoje é assim para sempre
Nunca amanhã, nunca ontem, nunca nada
Cadê aquele puxão forte no ventre?
Sem susto, sem novidade, sem graça

O sol se põe e nasce infinitamente
Respiro o mesmo ar há anos
Tudo é igual, nada é diferente
Inexoráveis pensamentos levianos

O que mudar enquanto nada se muda?
Já se desfaz em folhas o buquê de arruda
Não se complica mas também não se ajuda
Imutável vida que sempre passa e nada muda

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Juramentos e Reflexões

Jurei de pés juntos que jamais abriria meu coração
Não iria deixar nenhum mísero sentimento escapar
Estava decidido a trancá-lo para sempre no alçapão
Havia me cansado de tentar, tentar e nunca amar

Mas as circunstâncias mudaram e eu quis sentir
Aquele calor gostoso que aconchega a solidão
Que me fazia ficar preocupado em criar e construir
Situações e momentos pra "ficar no coração!"

Ah, o sabor da ilusão ainda adoça meus lábios
O calor que toca meu peito é apenas o meu
E ainda lembro todos conselhos dos sábios
Mas mesmo assim caí no que não aconteceu

O meu 2014 foi amolecido por novas amizades
Tentei conquistar dois amores impossíveis de obter
Até ofereci ilusórios sentimentos de felicidades
E no fim me restou míseros beijos para roer

Já 2015 começou terminando o que nunca começou
Já me cansa ser sempre a pessoa certa na hora errada
Fui pouco tentando ser muito, mas apenas sou quem sou
E no fim me restaram mágoas e uma ferida mirrada

E de agora pra frente juro novamente não abrir o coração
Não irei deixar sequer um mísero sentimento escapar
Trancado por um bom tempo novamente será no alçapão
Chega de tentar ser pra outrem, para mim apenas será

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Versados Sonhos Noturnos

Pensei nas possibilidades e nas chances
Qual a porcentagem de que eu ache você?
Procurei nos livros, nas cores e nas nuances
O que faço para esquecer e não mais ver?

Versos silenciados pela noite que não via fim
A vontade de acariciar as tuas chamas vermelhas
Sonhos que vem nos momentos que não e que sim
Meus dedos por seu esguio corpo geram centelhas

E o que me é mais estranho é a distância
De nunca ter sido alvo do teu sorriso e do teu olhar
Nunca ter te ouvido de perto me dá uma ânsia
A limitação das palavras escritas me faz imaginar

Tudo que fala me parece tão perto de mim
Como se pudéssemos gastar horas rindo do nada
Morrendo e renascendo num pequeno pé de alecrim
Ouvindo a passarada anunciar o fim da madrugada


Sonhos à la Zé Manoel - Fantasia de um Alecrim Dourado