sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O Melhor Lugar do Mundo

Pelas várzeas e veredas verdes de tantas poesias
Também as sombras e dobras da obscuridade
A beleza incontestável do litoral e suas maresias
A corrupção, o sorriso, a acolhida e a honestidade

Tudo é muito mais do que o lugar que habita
Vai além das lutas diárias pela preservação
Se esconde no pedreiro abrindo sua marmita
E também no poder da mulher ao dizer não

Das rezas e cantos entoados pelos festivais
Iluminando os corações, os olhos e muito mais
Para são Jorge não se findam os rivais
Para os que rezam só resta pedir paz

"Não me deixe esquecer

Que o melhor lugar do mundo é aqui"

Dentro de nós


Inspiração original: Mantra - Rubel ft. Emicida

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Futuro do Pretérito do Presente

Joguei um passo para o nada sem saber
Joguei outro para o hoje esperando ver
Joguei mais um no passado para reaver
Joguei vários outros para me convencer

Convencido estava de que era possível
Experimentar de tudo e me manter são
Estar em todos lugares não era plausível
Foram vários, vários passos em vão

Deixei de dar os passos pro passado
Concentrei-os na caminhada presente
Aprendi que até o futuro estava emperrado
Era preciso concentrar minha mente

O passado agora compõe o meu hoje
O futuro há de ser construído pelo hoje
Tudo que sou é fruto do que vivi ontem
Tudo que está por vir construirei amanhã

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Imprevisível Tempestade

Voa pensamento, bata suas asas a subir
Não pare nunca, nem por um momento
Bata suas asas, não deixe nunca de agir
Continue a fluir, continue a construir

Mesmo rimando com verbos no infinitivo
Não interessa a qualidade do esboço
Jamais perca seu potencial inventivo
Vai! É claro que vale todo o esforço!

Após um longo período de adaptação
É chegada a hora de mudar novamente
Mesmo quando o futuro é um turbilhão
A mudança clama pelo verso aqui presente

Voa pensamento, bata suas asas a subir
Mesmo que no meio da tempestade intensa
Bata suas asas, não deixe nunca de agir
Porque a vida continua densa

Tensa

Extensa

Imprevisível Tempestade
Mas, no fim, tudo compensa 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Contatos Perdidos

Toco minha pele
Na sua incrível pele

Pele, sensação, tesão
Pele, suavidade, colisão

Ferocidade no atrito lento
Percorre as peles ao relento

A pele real deixa vestígios
Na pele carnal, abrigos

Ofereço a ti minha alma

Sem pressa, sem correr, calma

Agora o vazio preenche as brechas
Antes cheias de suas mechas

Mas o aroma de seus cabelos
Não mais assomam meus anseios

A distância é impiedosa e cruel
Volte e me devolva meu céu

O contato que antes sismava em colidir
Foi-se, findou-se, deixou de existir

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Quase Um Ano

Quase um ano sem me ver
Sem parar para falar comigo
Quase me esqueço de arder
Sentimentos rodando no umbigo

Quase um ano sem refletir
Repassar a luz e a escuridão
Quase me perco sem sair
Meu corpo parado na vastidão

Quase um ano sem me aproximar
Distanciado pela intimidade conjugada
Quase me abandono sem pensar
Ao léu, sem norte, sem nada

Quase um ano sem dizer quase
Quase penso que era tudo banal
Mas nem só de quases se fazem as frases
Cá estou novamente, sem quase, total.

domingo, 25 de setembro de 2016

Meridional

Ela descontração e eu tenso
Foi risadas mil, eu apreensão
Falou suave nada imenso
Enquanto eu era construção

Veio e se foi rápida e sempre doce
Foi constante, oscilante e marcante
Sem saber ficou mesmo quando foi-se
Uma nota contínua e ressonante

Volta flor da imensidão de sorrisos
A trazer música para ouvidos secos
Meus movimentos perdidos e indecisos
Saudosos das ondulações pelos becos

domingo, 28 de agosto de 2016

Insensíveis Nadas Cotidianos

Insensível sem coração nem cor
Refaz, reconstrói e se enche de "rês"
Procura não dar importância pra dor
"Pode me servir mais um café, Cortez?"

Sal misturado ao adocicado fel do líquido
O som das buzinas e sirenes parece distante
Central, reintegra-se ao caos diário e insípido
Como apenas mais um livro na estante

Resgata memórias de um passado esquecido
E a falta de sentimentos o faz sentir gelado
Algo rápido, que some num sagaz estalido
De dedos ocupados com um cigarro apagado

Levanta, pois, para exibir na rua sua decadência
Sem se importar com nada que aconteça à sua volta
"Quem sabe assim não continuo nessa leniência
de saber que nada nunca irá bater á porta"