sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Vento

Jogado e esticado
Caindo sempre de lado

Voando sem rumo certo
Nunca longe, nunca perto

Vendaval de moléculas
Brisas nada maléficas

Lufadas pesadas de ar
Vento que venta quer ventar

O vento, ventania, vendaval
Vem pra cá, venerável e viral

Em todo lugar que venta o vento
Venta na alma um pouco de alento

Venta no coração alheio a esperança
Venta ó vento, o vento de cada criança

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A Transa

Apertado, apertei seus apertos íntimos
Passei minhas mãos por suas passagens
Sutilmente com sutis movimentos ínfimos
Me embebedei em suas belas paisagens

Esfreguei o esfregão da minha mão na sua
Cada gota de suor se unindo em uma só
Quente como o sol queimando a lua
A dois, um par, uma dupla, ambos, nós

Entramos na entrada do subjetivo libidinal
Luzes ofuscantes em nossos olhos famintos
O começo de tudo, nosso big bang pessoal
A plenitude, o gozo, emaranhados labirintos

A realização completa do presente momento
Nunca será possível replicar a réplica da cama
Esquecemos, pois, do esquecido esquecimento
De sentir novamente o corpo de quem se ama

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Sem Sentido Além do Sentido

Conhecia as cores, os sons e os aromas
Viu e desviu o passar do tempo a voar
Da solidão já apresentava os sintomas
Mas sabia de tudo o seu devido lugar

Tudo que compreendia sua visão
Das águas que caíam ali por perto
Até os perfumes além da compreensão
Seu único medo era que fosse deserto

Árido fosse o solo brando a seus pés
Quem me dera ser mais do que posso
Almejo mas não me rendo ao desejo
Me visto, sem saber, de remorso

Explodem aromas aos pulmões abertos
Nas emulsões e misturas que completam
Percorro com pressa caminhos secretos
Que para todas as sensações, carregam

Olhos se fecham, concentrados em sentir
Os tímpanos reverberam ondas vorazes
Na pele a amargura do ser sem permitir
Ser mais que sentidos afiados e sagazes

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Acontecido Ano Estranho

Refletindo a minha miudeza
Ano estranho, esse que passou!
Mesmo que cheio de incertezas,
Sinto que eu mudei e tudo mudou!

Ideias antes escondidas tomam forma
No discurso antes velado se constroem
Finalmente vi que sempre foi um dogma
Estevam lá, escondidos enquanto corroem

Muitas coisas boas aconteceram, certamente!
Embora numa proporção um tanto quanto confusa
Muitas vezes taciturna, silenciosa, quieta e veemente
Outras vezes barulhenta, agitada, buliçosa e obtusa

Como de praxe, algumas coisas não aconteceram
Tomo total responsabilidade nessa ociosidade
Ideias verdes e atormentadas amadureceram
Práticas antigas definharam com a idade

Foi um período bem estranho, enfim
Aconteceram coisas e outras não
Aconteci muito pouco em mim
Aconteceu longe do coração

Tudo muito estranho, não?
Eu não saberia dizer
Vejo só um clarão
Daquilo que está
Para acontecer!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Dicotomia Monocromática

Toquei as flores de macadâmias rosadas
Percorri caminhos intrincados e extensos
Enquanto tive a liberdade das caminhadas
Outros oscilavam por caminhos menos intensos

A possibilidade de ter aquilo que deseja
Aliada a cor que exprime a austeridade
De ser qualquer coisa, o que tanto almeja
Enquanto outros são apenas reciprocidade

O dar e receber de uma cultura seletiva
Dá-se pouco, recebe-se muito para manter
Manter um status onde não existe prerrogativa
Para o sofrimento de outrem sem ao menos sofrer

Existe, é claro, benefícios egoístas em ser
Alvo como as nuvens de uma tarde de verão
Enquanto existem muitos malefícios em ser
Retinto e ancestral como a bela escuridão

Que possamos ao menos estar com olhos abertos
Enquanto podemos demais outros podem de menos
É impossível ignorar tantos detalhes encobertos
Que não apenas por nós, mas por todos, lutemos!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cantoria da Ilusão

Cantei aos quatro ventos
Os acordes com tom maior
Apreciei versos rebentos
Sol sustenido e um ré menor

Os sons trilharam as veredas
Das vibrações do ar rarefeito
Se alternando em suas facetas
O som macio, doce e perfeito

Nem por um segundo pensei
Que canto bem ou algo assim
Mas aos meus ouvidos sou rei
De notas afinadíssimas sem fim

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Aqui Jaz um Por Quê

Eu costumava não pensar muito
Mas agora me vejo gastando demais
Meus neurônios com cada absurdo
Planetas, racismo, a ilha de alcatraz

Mas nem por um breve momento
Esses absurdos deixam de existir
Nem durante um rápido alento
Essa realidade deixa de me consumir

Quem sou eu e quem é você?
Porque fazemos o que fazemos?
Porque, por que, porquê, por quê?
Vejo que de sentido, nos desfazemos

Poucas coisas nessa existência leviana
Acontecem assim, sem razão ou lógica
Especialmente aqui a ação humana
Sempre se fundamenta, repito, na lógica

A cultura transmitida ininterruptamente
As bases dos porquês nunca realizados
Os sonhos prontos depositados na mente
Uma vida inteira com rumos determinados

Ou você achou mesmo que suas práticas
Eram realizadas porque você as inventou?
Das mais modernas às mais clássicas
Pouca coisa é inventada, alguém te ensinou

Ensinou a odiar, a amar, a sentir e entender
Ensinou a não aprender, a esquecer e não ver
Ensinou a subjetivar, a recalcar, a esconder
Ensinou a ensinar e continuar ensinando a ser

Mais um nesse mundo de vários uns
Sem saber nem porquê nem pra quê
Mas não se pode abandonar alguns
Eis que aqui jazem vários por quês