sábado, 30 de novembro de 2013

Nada

Já te disse que esse vazio aqui dentro não passa?
Finjo que não, mas procuro até suas esmeraldas
Vejo miragens que somem na mais sórdida trapaça
Escurece e tudo o que tenho nesse momento é o nada

Esta ausência de pensamentos me incomoda
Estou acostumado com o fluir dos agenciamentos
Que chacoalham, rebuliçam e que me acorda
Agora com dificuldade até de rimar com "entos"

Me movimento, parado
Me incomodo, pacato
Me surpreendo, parado
Me entristeço, pacato

Última Batida


As formas inconstantes de pedra aguada
Se adequam aos moldes simples do nada
Sobrevoam os corpos em decomposição
Lutando contra as forças do sim e do não

Jaz morto o órgão putrefato e feio
O buraco aberto e sangrando no seio
Cicatrizes invisíveis por toda extensão
Asqueroso, tenta pulsar pisoteado no chão

Cansado das batidas carinhosas dadas por mãos de ferro
Procura descansar e desistir de tudo e repete: "emperro"
Olhos que se fecham na palma da mão
Cores que retornam de repente na última batida do coração

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Rebuliço Inconstante

Revoltas inconstantes em círculos sonoros
Ribombam constantemente ao som do nada
Estacas de sangue e de ossos cheios de poros
Acariciam os pés que passam no céu, alada

O vai e vem inconstante do silêncio ensurdecedor
Brilhos e luzes causam sensações inigualáveis
As mãos que acariciam um corpo sem nenhum pudor
Balanços e movimentos, ora cruéis, ora afáveis

Tampar os ouvidos não parece resolver a fluidez
Das ideias que circundam a periferia da constelação
Viagem inconstante e insegura, volto de uma vez
Piso no chão, abro os olhos e me vejo sem coração

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Oi Surpresa

Como pode um simples oi
Melhorar meu dia assim?
Veio tão rápido quanto foi
Mas foi direcionado a mim

Sinceramente não esperava
Ainda mais vindo justo de ti
Mas assim como quem cava
Você achou algo perdido aqui

Diante de tanto nada, escura e vazia
Minha expressão gelada que não ardia
A alegria que aqui dentro se refazia
Aquele 'oi' que salvou o meu dia

Quietude Infinita

Silêncio
Permeia cada canto de minha alma
Silêncio
Monotonia na mais completa calma

Silêncio do que antes já fora dito
Nem mesmo as batidas cardíacas ouço
Silêncio que persiste além do infinito
O nada, vazio, sem alvoroço

Silêncio
Escorre pelos cantos vazios, me sujo
Silêncio
Apenas eu, quieto, nem fico nem fujo

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Rios Vazios

Por agora não está chovendo nem nublado
Porque gotas insistem em molhar meu rosto?
Estaria com esse buraco no peito relacionado?
Ao menos estou vivo, preto e branco, fosco

As cores parecem que pararam de existir
Nada é cinza, algo é branco, tudo é preto
Não sinto mais meu corpo, pareço um zumbi
Sinto apenas as lágrimas em meu peito

O sol parece fraco até mesmo prum recado
Mesmo ele compactua com minha tristeza
Tristeza de ter meu coração arrancado
Esfaqueado e dizimado sobre uma mesa

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Relógio Cicatrizante

O tempo desliza em ondas sonoras
tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac
Segundos se desembrulham em horas
tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac

As redobras do tempo se convergem
Acariciando as feridas infeccionadas
Passa, nada para, sempre emergem
No constante movimento, curadas

Ressurjo remendado e costurado
tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac
Perdido, semi-novo, amargurado
tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac

O tempo que trouxe a mudança
As coisas que devaneiam sem fim
O constante rebuliço que amansa
Tempo que sempre passou pra mim