segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Saudades e Apreços

Procurava todos os dias sem saber
As lembranças de um tempo recente
Pelos cliques, me saciava ao apenas ver
O que ontem passou e hoje não é presente

Não sobrou nenhum arrependimento
Mas o que poderia fazer pra ter dado certo?
Talvez o errado fosse somente o momento
Talvez não era mesmo para se estar perto

Ainda vem uma fisgada de saudade ao lembrar
Dos momentos bons que vivi naquele período
Como o dia que almoçamos no chão duro a suar
De tantos outros que queria ter passado contigo

Mas aquele fogo passou mais rápido do que veio
Porque não foi construído como no começo
Ele foi apagado com um balde lotado de gelo
E hoje só resta um pequeno e humilde apreço

Apreço pelos bons momentos que insisto em guardar
Apreço por querer não acreditar que foram uma mentira
Apreço por ter sentido no peito algo que me fez arfar
Apreço por ter amado, sentimento que ninguém me tira

E o tempo se encarregou de passar
Passar para trás o que já não continua
Sem volta, sem arrependimento, sem pesar
Fica apenas aquela história minha e sua

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sim, "menina"!

Ela se emaranhava todo dia em poesias
Pensando nos dias que talvez nunca virão
Entre versos, rimas sentimentos e maresias
Se encantava com o que é e no que não

Ela sentia no seu coração que era pouco
Mas sem querer ela era mais que todos
Sem fazer doce ou até um ouvido mouco
Sentia, vivia e sorria: "seus loucos!"

Loucos por estarem presos à amarra
do destino inefável que a sociedade impunha
Loucos por não mostrarem um pouco de garra
pra serem agentes e não apenas uma testemunha

Ela era rima de amor com insegurança
Ela juntava indecisão com objetivos concretos
Ela queria que talvez fosse como numa dança
Extravagante, sim, mas ao mesmo tempo discreto

Ela queria o mundo inteiro ao alcance da mão
Mas o mundo é muito grande pra uma só pessoa
Ela queria muito ouvir mais "sim" e menos "não"
Os vários desejos de seu coração em minhas rimas
Ressoa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Espinhos

Uma flor tão bela quanto a lua cheia
Tão colorida quanto a viva aquarela
Inconstante, distante, atenta e alheia
Gotas de indecisão em cada pétala

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Duros, afiados, numerosos e singelos
Em minhas mãos os vários pontinhos

Eu, disposto a segura-la nas mãos
A flor, sem muito, apenas me fitava
Eu, disposto por ela tudo fazer
A flor, sem muito, apenas me escutava

De tantos espinhos que recebi
Acabei por desistir daquela flor
Aceitei o fato dela não me querer ali
De minhas mãos já não receberia calor

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Saiu do vivo vermelho, foi pro amarelo
Da palidez, distância... Longínquo

Não pude oferecer o melhor adubo
Nem mesmo a melhor estufa ou tempo
Mas esta flor precisa de mais que o cubo
de pequenas coisas que ofereci, como o vento

O vento carregado de sentimentos e de amor
O vento de meu coração que saía pelos lábios
O vento que era simples e comum mas com furor
O vento que passava mas estava sempre dos lados

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Duros, afiados, numerosos e singelos
Em meu coração vários pontinhos

Pontos de sangue
De quem sangra por amar
Que sangra por tanto querer
Que sangra por saber que não vai voltar

Que sangra
Por seus espinhos.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cores e Formas

De muitas formas eu colori os lábios
Abraços, beijos, elogios e sorrisos
Todos os quereres mais simples e falhos
Todos os amores diretos e concisos

Fiz de mim o receptor de tudo e de todas
E de você a fonte de toda a felicidade
Sem esperar um dia comemorar as bodas
Mas desejando com uma leve ansiedade

Coloco em mim agora aquela fonte
Sem pensar duas vezes, sem pestanejar
Me oferecendo o pôr do sol no horizonte
E as estrelas no céu noturno a brilhar

Porque deposito sempre o tudo noutrem?
Na insegurança da vil insignificância
Apago meu eu, mas e se eles se forem?
Os amores, os calores, a abundância...

O simples fato de cogitar a falta de tudo
Me dói o coração e me faz reduzir o eu
Para que nada se perca nesse escuro
Mas hoje vejo que isso nem aconteceu

Me é requerido ser como todos são
Ser ótimo, mas não tão ótimo assim
A distância gera saudade e ilusão
Não preciso disso para amar sem fim

A falta dessa frieza me incomoda
Meu coração é apenas carinho e sorriso
Sem dificuldade ou sem barreira torta
A sinceridade estampada de ciso a ciso

Não sei ser frio quando já sofri gelado
E não desejo essa frieza a ninguém vivo
Só tenho espaço pro calor aqui do lado
Sem friezas e sem distâncias mas altivo

Coloco em mim agora aquela fonte
Sem pensar duas vezes, sem lacrimejar
Me oferecendo o pôr do sol no horizonte
E as estrelas no céu noturno a brilhar

Aqui aguardo pela simplicidade
Pelo descompromisso com o que está dado
Por apenas amar sem nenhuma dificuldade
Porque é tão difícil estar fora do quadrado?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Abraços e Amparos


Em tuas janelas se acumulava o orvalho
Das vezes que a liberdade estava no laço
A moldura molhada mas firme, de carvalho
E eu gentilmente o acolhia em meu abraço

Das que caíram só vi algumas gotas
Que ainda estão aqui molhando meu peito
Das que nunca vi só imagino algumas poucas
Que nas pernas encontraram seu último leito

Que meu abraço seja sempre seu acalanto
Que em meus braços sinta sempre o encanto
Que de meu rosto possa ouvir sempre o canto
Que no meu peito possa achar seu recanto

Um abraço para amparar as muitas dores
Todos os abraços para amparar a vida inteira
Enquanto te abraço que se preencha de cores
Assim como, de vermelho, se colore a roseira


Tirinha e Inspiração Original por: Venes Caitano

domingo, 30 de agosto de 2015

Segredos Esquecidos


Lembrei do ontem como se fosse agora
Os toques, os olhares e as conversas
Deitados e amados pela noite afora
Flutuações que iam e vinham às pressas

A areia do cotidiano preenchia a mente
O escuro do dia a dia apagava o brilho
Do teu céu tão lindo, claro e indecente
Saindo dos teus pés, percorria seu trilho

Eu de um lado ouvindo teus segredos
Você do seu lado ouvindo seus anseios
Enquanto em seu corpo seguiam meus dedos
Minha boca insaciável circulando seus seios

De palavras se fizeram os carinhos
De carinhos se fizeram os sentimentos
De sentimentos se fizeram os sorrisos
E de sorrisos se fizeram os momentos

Momentos que ficaram marcados no peito
Enquanto você abria seu coração e chorava
E eu segurando suas pesadas lágrimas sem jeito
Mas com toda a sinceridade de quem apenas amava

Confesso que realmente cheguei a esquecer
Do que era ruim e do que nada acrescentava
Doía no peito, no amor e não parava de doer
Aqueles segredos maciços que tanto machucava

Do agora espero que sejam apenas boas memórias
Não mais lembranças tortas que insistem em voltar
Escrever novas páginas dessa nossa história
Com carinho, atenção e liberdade, nunca ruim
Sempre a te amar...



Tirinha e Inspiração Original: Fábio Moon e Gabriel Bá

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

De Quereres Queríveis

Queria um abraço
Disse o eremita
Queria mais espaço
Disse o individualista

Queria um aperto
Disse o folgado
Queria um emprego
Disse o desempregado

Queria um jantar
Disse o esfomeado
Queria me revoltar
Disse o conformado

Queria uma cabeleira
Disse o careca
Queria uma brejeira
Disse a perereca

E eu? Eu queria você
Não como quem não tem
Mas como o bolo quer glacê
Ou um moleque quer um vintém

Queria quereres inqueríveis
Quereres que queria não querer
Queria que fosse tudo querível
Não vivo de querer, mas de você