quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Juramentos e Reflexões

Jurei de pés juntos que jamais abriria meu coração
Não iria deixar nenhum mísero sentimento escapar
Estava decidido a trancá-lo para sempre no alçapão
Havia me cansado de tentar, tentar e nunca amar

Mas as circunstâncias mudaram e eu quis sentir
Aquele calor gostoso que aconchega a solidão
Que me fazia ficar preocupado em criar e construir
Situações e momentos pra "ficar no coração!"

Ah, o sabor da ilusão ainda adoça meus lábios
O calor que toca meu peito é apenas o meu
E ainda lembro todos conselhos dos sábios
Mas mesmo assim caí no que não aconteceu

O meu 2014 foi amolecido por novas amizades
Tentei conquistar dois amores impossíveis de obter
Até ofereci ilusórios sentimentos de felicidades
E no fim me restou míseros beijos para roer

Já 2015 começou terminando o que nunca começou
Já me cansa ser sempre a pessoa certa na hora errada
Fui pouco tentando ser muito, mas apenas sou quem sou
E no fim me restaram mágoas e uma ferida mirrada

E de agora pra frente juro novamente não abrir o coração
Não irei deixar sequer um mísero sentimento escapar
Trancado por um bom tempo novamente será no alçapão
Chega de tentar ser pra outrem, para mim apenas será

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Versados Sonhos Noturnos

Pensei nas possibilidades e nas chances
Qual a porcentagem de que eu ache você?
Procurei nos livros, nas cores e nas nuances
O que faço para esquecer e não mais ver?

Versos silenciados pela noite que não via fim
A vontade de acariciar as tuas chamas vermelhas
Sonhos que vem nos momentos que não e que sim
Meus dedos por seu esguio corpo geram centelhas

E o que me é mais estranho é a distância
De nunca ter sido alvo do teu sorriso e do teu olhar
Nunca ter te ouvido de perto me dá uma ânsia
A limitação das palavras escritas me faz imaginar

Tudo que fala me parece tão perto de mim
Como se pudéssemos gastar horas rindo do nada
Morrendo e renascendo num pequeno pé de alecrim
Ouvindo a passarada anunciar o fim da madrugada


Sonhos à la Zé Manoel - Fantasia de um Alecrim Dourado

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Saudades e Apreços

Procurava todos os dias sem saber
As lembranças de um tempo recente
Pelos cliques, me saciava ao apenas ver
O que ontem passou e hoje não é presente

Não sobrou nenhum arrependimento
Mas o que poderia fazer pra ter dado certo?
Talvez o errado fosse somente o momento
Talvez não era mesmo para se estar perto

Ainda vem uma fisgada de saudade ao lembrar
Dos momentos bons que vivi naquele período
Como o dia que almoçamos no chão duro a suar
De tantos outros que queria ter passado contigo

Mas aquele fogo passou mais rápido do que veio
Porque não foi construído como no começo
Ele foi apagado com um balde lotado de gelo
E hoje só resta um pequeno e humilde apreço

Apreço pelos bons momentos que insisto em guardar
Apreço por querer não acreditar que foram uma mentira
Apreço por ter sentido no peito algo que me fez arfar
Apreço por ter amado, sentimento que ninguém me tira

E o tempo se encarregou de passar
Passar para trás o que já não continua
Sem volta, sem arrependimento, sem pesar
Fica apenas aquela história minha e sua

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sim, "menina"!

Ela se emaranhava todo dia em poesias
Pensando nos dias que talvez nunca virão
Entre versos, rimas sentimentos e maresias
Se encantava com o que é e no que não

Ela sentia no seu coração que era pouco
Mas sem querer ela era mais que todos
Sem fazer doce ou até um ouvido mouco
Sentia, vivia e sorria: "seus loucos!"

Loucos por estarem presos à amarra
do destino inefável que a sociedade impunha
Loucos por não mostrarem um pouco de garra
pra serem agentes e não apenas uma testemunha

Ela era rima de amor com insegurança
Ela juntava indecisão com objetivos concretos
Ela queria que talvez fosse como numa dança
Extravagante, sim, mas ao mesmo tempo discreto

Ela queria o mundo inteiro ao alcance da mão
Mas o mundo é muito grande pra uma só pessoa
Ela queria muito ouvir mais "sim" e menos "não"
Os vários desejos de seu coração em minhas rimas
Ressoa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Espinhos

Uma flor tão bela quanto a lua cheia
Tão colorida quanto a viva aquarela
Inconstante, distante, atenta e alheia
Gotas de indecisão em cada pétala

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Duros, afiados, numerosos e singelos
Em minhas mãos os vários pontinhos

Eu, disposto a segura-la nas mãos
A flor, sem muito, apenas me fitava
Eu, disposto por ela tudo fazer
A flor, sem muito, apenas me escutava

De tantos espinhos que recebi
Acabei por desistir daquela flor
Aceitei o fato dela não me querer ali
De minhas mãos já não receberia calor

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Saiu do vivo vermelho, foi pro amarelo
Da palidez, distância... Longínquo

Não pude oferecer o melhor adubo
Nem mesmo a melhor estufa ou tempo
Mas esta flor precisa de mais que o cubo
de pequenas coisas que ofereci, como o vento

O vento carregado de sentimentos e de amor
O vento de meu coração que saía pelos lábios
O vento que era simples e comum mas com furor
O vento que passava mas estava sempre dos lados

De tantas cores e aromas mais belos
Escolheu me oferecer seus espinhos
Duros, afiados, numerosos e singelos
Em meu coração vários pontinhos

Pontos de sangue
De quem sangra por amar
Que sangra por tanto querer
Que sangra por saber que não vai voltar

Que sangra
Por seus espinhos.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cores e Formas

De muitas formas eu colori os lábios
Abraços, beijos, elogios e sorrisos
Todos os quereres mais simples e falhos
Todos os amores diretos e concisos

Fiz de mim o receptor de tudo e de todas
E de você a fonte de toda a felicidade
Sem esperar um dia comemorar as bodas
Mas desejando com uma leve ansiedade

Coloco em mim agora aquela fonte
Sem pensar duas vezes, sem pestanejar
Me oferecendo o pôr do sol no horizonte
E as estrelas no céu noturno a brilhar

Porque deposito sempre o tudo noutrem?
Na insegurança da vil insignificância
Apago meu eu, mas e se eles se forem?
Os amores, os calores, a abundância...

O simples fato de cogitar a falta de tudo
Me dói o coração e me faz reduzir o eu
Para que nada se perca nesse escuro
Mas hoje vejo que isso nem aconteceu

Me é requerido ser como todos são
Ser ótimo, mas não tão ótimo assim
A distância gera saudade e ilusão
Não preciso disso para amar sem fim

A falta dessa frieza me incomoda
Meu coração é apenas carinho e sorriso
Sem dificuldade ou sem barreira torta
A sinceridade estampada de ciso a ciso

Não sei ser frio quando já sofri gelado
E não desejo essa frieza a ninguém vivo
Só tenho espaço pro calor aqui do lado
Sem friezas e sem distâncias mas altivo

Coloco em mim agora aquela fonte
Sem pensar duas vezes, sem lacrimejar
Me oferecendo o pôr do sol no horizonte
E as estrelas no céu noturno a brilhar

Aqui aguardo pela simplicidade
Pelo descompromisso com o que está dado
Por apenas amar sem nenhuma dificuldade
Porque é tão difícil estar fora do quadrado?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Abraços e Amparos


Em tuas janelas se acumulava o orvalho
Das vezes que a liberdade estava no laço
A moldura molhada mas firme, de carvalho
E eu gentilmente o acolhia em meu abraço

Das que caíram só vi algumas gotas
Que ainda estão aqui molhando meu peito
Das que nunca vi só imagino algumas poucas
Que nas pernas encontraram seu último leito

Que meu abraço seja sempre seu acalanto
Que em meus braços sinta sempre o encanto
Que de meu rosto possa ouvir sempre o canto
Que no meu peito possa achar seu recanto

Um abraço para amparar as muitas dores
Todos os abraços para amparar a vida inteira
Enquanto te abraço que se preencha de cores
Assim como, de vermelho, se colore a roseira


Tirinha e Inspiração Original por: Venes Caitano